quarta-feira, 8 de junho de 2011

Postando agora de forma completa...

Afinal- Álvaro de Campos

Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir.
Sentir tudo de todas as maneiras.
Sentir tudo excessivamente,
Porque todas as coisas são, em verdade, excessivas
E toda a realidade é um excesso, uma violência,
Uma alucinação extraordinariamente nítida
Que vivemos todos em comum com a fúria das almas,
O centro para onde tendem as estranhas forças centrífugas
Que são as psiques humanas no seu acordo de sentidos.
Quanto mais eu sinta, quanto mais eu sinta como várias pessoas,
Quanto mais personalidade eu tiver,
Quanto mais intensamente, estridentemente as tiver,
Quanto mais simultaneamente sentir com todas elas,
Quanto mais unificadamente diverso, dispersadamente atento,
Estiver, sentir, viver, for,
Mais possuirei a existência total do universo,
Mais completo serei pelo espaço inteiro fora.
Mais análogo serei a Deus, seja ele quem for,
Porque, seja ele quem for, com certeza que é Tudo,
E fora d'Ele há só Ele, e Tudo para Ele é pouco.
Cada alma é uma escada para Deus,
Cada alma é um corredor-Universo para Deus,
Cada alma é um rio correndo por margens de Externo
Para Deus e em Deus com um sussurro soturno.
Sursum corda! Erguei as almas! Toda a Matéria é Espírito,
Porque Matéria e Espírito são apenas nomes confusos
Dados à grande sombra que ensopa o Exterior em sonho
E funde em Noite e Mistério o Universo Excessivo!
Sursum corda! Na noite acordo, o silêncio é grande,
As coisas, de braços cruzados sobre o peito, reparam
Com uma tristeza nobre para os meus olhos abertos
Que as vê como vagos vultos noturnos na noite negra.
Sursum corda! Acordo na noite e sinto-me diverso.
Todo o Mundo com a sua forma visível do costume
Jaz no fundo dum poço e faz um ruído confuso,
Escuto-o, e no meu coração um grande pasmo soluça.
Sursum corda! ó Terra, jardim suspenso, berço
Que embala a Alma dispersa da humanidade sucessiva!
Mãe verde e florida todos os anos recente,
Todos os anos vernal, estival, outonal, hiemal,
Todos os anos celebrando às mancheias as festas de Adônis
Num rito anterior a todas as significações,
Num grande culto em tumulto pelas montanhas e os vales!
Grande coração pulsando no peito nu dos vulcões,
Grande voz acordando em cataratas e mares,
Grande bacante ébria do Movimento e da Mudança,
Em cio de vegetação e florescência rompendo
Teu próprio corpo de terra e rochas, teu corpo submisso
A tua própria vontade transtornadora e eterna!
Mãe carinhosa e unânime dos ventos, dos mares, dos prados,
Vertiginosa mãe dos vendavais e ciclones,
Mãe caprichosa que faz vegetar e secar,
Que perturba as próprias estações e confunde
Num beijo imaterial os sóis e as chuvas e os ventos!
Sursum corda! Reparo para ti e todo eu sou um hino!
Tudo em mim como um satélite da tua dinâmica intima
Volteia serpenteando, ficando como um anel
Nevoento, de sensações reminescidas e vagas,
Em torno ao teu vulto interno, túrgido e fervoroso.
Ocupa de toda a tua força e de todo o teu poder quente
Meu coração a ti aberto!
Como uma espada traspassando meu ser erguido e extático,
Intersecciona com meu sangue, com a minha pele e os meus nervos,
Teu movimento contínuo, contíguo a ti própria sempre,
Sou um monte confuso de forças cheias de infinito
Tendendo em todas as direções para todos os lados do espaço,
A Vida, essa coisa enorme, é que prende tudo e tudo une
E faz com que todas as forças que raivam dentro de mim
Não passem de mim, nem quebrem meu ser, não partam meu corpo,
Não me arremessem, como uma bomba de Espírito que estoira
Em sangue e carne e alma espiritualizados para entre as estrelas,
Para além dos sóis de outros sistemas e dos astros remotos.
Tudo o que há dentro de mim tende a voltar a ser tudo.
Tudo o que há dentro de mim tende a despejar-me no chão,
No vasto chão supremo que não está em cima nem embaixo
Mas sob as estrelas e os sóis, sob as almas e os corpos
Por uma oblíqua posse dos nossos sentidos intelectuais.
Sou uma chama ascendendo, mas ascendo para baixo e para cima,
Ascendo para todos os lados ao mesmo tempo, sou um globo
De chamas explosivas buscando Deus e queimando
A crosta dos meus sentidos, o muro da minha lógica,
A minha inteligência limitadora e gelada.
Sou uma grande máquina movida por grandes correias
De que só vejo a parte que pega nos meus tambores,
O resto vai para além dos astros, passa para além dos sóis,
E nunca parece chegar ao tambor donde parte ...
Meu corpo é um centro dum volante estupendo e infinito
Em marcha sempre vertiginosamente em torno de si,
Cruzando-se em todas as direções com outros volantes,
Que se entrepenetram e misturam, porque isto não é no espaço
Mas não sei onde espacial de uma outra maneira-Deus.
Dentro de mim estão presos e atados ao chao
Todos os movimentos que compõem o universo,
A fúria minuciosa e dos átomos,
A fúria de todas as chamas, a raiva de todos os ventos,
A espuma furiosa de todos os rios, que se precipitam,
A chuva com pedras atiradas de catapultas
De enormes exércitos de anões escondidos no céu.
Sou um formidável dinamismo obrigado ao equilíbrio
De estar dentro do meu corpo, de não transbordar da minh'alma.
Ruge, estoira, vence, quebra, estrondeia, sacode,
Freme, treme, espuma, venta, viola, explode,
Perde-te, transcende-te, circunda-te, vive-te, rompe e foge,
Sê com todo o meu corpo todo o universo e a vida,
Arde com todo o meu ser todos os lumes e luzes,
Risca com toda a minha alma todos os relâmpagos e fogos,
Sobrevive-me em minha vida em todas as direções!

sábado, 7 de agosto de 2010

Lembrete

Uma belíssima surpresa que recebo ao abrir meu orkut
Esse depoimento foi-me mandado por uma pessoa muitíssimo especial
Ótimas lembranças de dias felizes.

(Irei postar um depoimento que uma amiga mandou-me)
Segue abaixo o depoimento:

"Para que não esqueça...

Minha viagem particular, a sua...


Lembrete


Sossega coração meu
Porque ainda tens memória
Lembra-te d’outro dia
Duns outros mais longínquos
E não menos vivos
Que estes d’agora

Lembra e não te aflijas
Guarda o bom momento
Sente-o como uma felicidade
Aguda e efêmera
Como há de ser todas as coisas

Não reparas na distância
Como sendo de todo o mal
Ela revigora a saudade
Que não tem opção outra
Que revirar a memória
E reascender lembranças
Ainda mais belas
Do que fomos
Da pureza que tivemos

Lembra-te e não amaldiçoa o tempo
Embora te pareça velho...
Se renova a cada vista
A cada ponto de equilíbrio formado
A cada beijo estalado
E a toda partida
..."

[Daisy Araújo]

Fiquei assim lendo o depoimento: *_*

DESEJO

É improvável que qualquer retrato
consiga fazer jus a Desejo,
pois vê-la (ou vê-lo)
seria o mesmo que amá-lo
(ou amá-la) - apaixonadamente,
dolorosamente, até a
exclusão de tudo o mais.

Jamais a(o) possuída(o), sempre
o(a) possuidor(a), com pele
tão pálida quanto fumaça,
e olhos aguçados como vinho.

Desejo é tudo o que você sempre quis.

Quem quer que seja você.
O que quer que seja você.

Tudo.
(fonte)
--------------------------------------

"Teus medos afastam-me de ti"

... O que posso fazer ou pensar de relevancia? Numa noite assim tão irrelevante... Apenas deito e tomo meu merlot. Iluminado a chama de uma vela (Fato).
Resta-me pensar no que ando a fazer... paro pra tentar escutar uma melodia, porem minha mente anda agitada. Resta-me a tentativa do sono, e é o que irei fazer.

domingo, 13 de junho de 2010

Verrà la morte e avrà i tuoi occhi


Virá a morte e terá os teus olhos


Virá a morte e terá os teus olhos,
essa morte que nos acompanha
da manhã à noite, insone,
surda, como um velho remorso
ou um vício absurdo. Os teus olhos
serão uma palavra vã,
um grito emudecido, um silêncio.
Assim os vês cada manhã
Quando, sobre ti só, te dobras
ao espelho. Ó cara esperança,
nesse dia saberemos também nós
que és a vida e és o nada.
Para todos a morte tem um olhar.


Virá a morte e terá os teus olhos.
Será como cessar um vício,
Como ver no espelho
re-emergir um rosto morto,
como escutar lábios fechados.
Desceremos ao vórtice mudos.

Tradução minha de
Verrà la morte e avrà i tuoi occhi
de Cesare Pavese

(Mais um texto que faz-me lembrar de morte personagem de sandman *-*)

sábado, 8 de maio de 2010

‘Por que a quinta-feira?’

"-Posso fazer uma pergunta boba?
-Claro, manda.
-É mais de uma pergunta. Olha… hã… Por que a gente sofre? Por que morremos? Por que a vida não é sempre boa? Por que não é justa?
-Essas não são perguntas idiotas,... Para algumas pessoas, são as únicas que importam.
-Significa que não vai responder?
-Claro que vou. Mas é um assunto muito amplo, e há várias respostas. E as respostas não significam nada… Não são perguntas idiotas, mas é como perguntar: ‘Quando é roxo?’ ou ‘Por que a quinta-feira?’, se é que me entende…
-Não muito.
-Bem. Acho que, em parte, tem a ver com contrastes. Luz e Sombra. Se você nunca viver dias ruins, como vai saber se viveu dias bons? Mas em parte é só o seguinte: Se você vai ser humano, tem um monte de coisas que vem junto. Olhos, coração, dias e vida. Mas são os momentos que iluminam tudo. As vezes que você nem percebe quando está vivendo… É isso que faz o resto ser importante.”

Bem é isso... parte da obra Sandman de Neil Gaiman.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Afinal [...]


-Afinal-

Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir.
Sentir tudo de todas as maneiras.
Sentir tudo excessivamente,
Porque todas as coisas são, em verdade, excessivas
E toda a realidade é um excesso, uma violência, ...

(Álvaro de Campos)

SENTIMENTOS ATRAVÉS DA ARTE...
[SENTIR] Esse post é sobre um artista grafico que particularmente admiro o trabalho... (bastante!)
Senhor Mckean...


E o que seria Dave McKean?


Meu mago mais especial... ele me mostra coisas que sempre quis* ver.
Um alquimista moderno transformando a (realidade)... mudando o que se vê
[um] Grande

-desenhista- ilustrador - [cineasta e músico]
[(i)ncorpora] desenho, pintura, fotografia, colagem digital e escultura





sexta-feira, 22 de maio de 2009

Tragicomédia Existencial

E cada um cuidava em manter as aparências

Dia a dia, sempre belos para seu publico

Suas mascaras sempre em suas faces...

Cada passo medido, toda ação medida.

...

Mas nem tudo é mascara, nem tudo é apenas casca

Porem o espetáculo tem que continuar

Engolindo o choro, estrangulando seus sentimentos

continuaram seu teatro de realidade

Essa Tragicomédia Existencial.